sexta-feira, 17 de julho de 2009

Inconformismo

Decidi ficar doente para sarar,

Peguei um ônibus para parar,

Me ceguei para tentar enxergar,

Assisti à tv para me identificar

Nada deu certo.

Jamais dará?

Não se pode mover como um inseto

Um ser que ama, odeia e pode pensar,

Que luta pelo que acha certo,

Sendo que o problema está em achar.

Muitos aí que guiam são os cegos,

Que ignoram a direção, pois poderiam enxergar...

Me desdobrar, descer, subir, voltar, eu quero.

Porque com tudo isso que não posso concordar.

Continuo contra a massa antimassiva desses modernos,

Que se excluindo pensam poder se individualizar,

Mas ao mesmo buraco estão caindo, do cemitério.

Já não se pode esse lado ou outro apoiar,

Ambos estão corrompidos e sem méritos...

A esperança está no que é sincero, em o que, pela justiça, a própria vida venha a arriscar.

Decidindo ser cego

Para melhor entender o que ninguém consegue enxergar,

Pensando além, sério, realmente diferente, novo,

Contrário a esse todo produzido

Que se une a se fragmentar.

Por A.Carvalho, “Inconformismo”.

Inconformismo

Você é o velho que já morreu e aqui ficou

E mal consegue ser velho como era ser no tempo de seu avô

Isso porque se resumiu a nada, o tudo que a vida de verdade e em bondade criou,

Disfarçada a terra, habitada de zumbis,

Você que aí está, que pertence, que vive, mas aparentemente, pois está morto, e se ninguém vê ou ninguém diz, são pelas ações que eu te descobri.

Espero que se encontre, que veja além dos olhos,

Que sinta-se além dos poros e ócios,

E que diga, além de ruídos, efeitos sonoros,

Para viver a vida, além das horas, além dos modos,

Menos falsa, menos sofrida.

Por A.Carvalho, “Inconformismo”.

Fajuto

Eu carrego uma dor.

Extrema dor, extrema.

Borboleta que voar recusou,

Beija-flor que perdeu as penas

Por causa de uma, única flor.

Eu carrego uma agonia

Fria, fria, congelante,

Calafrio que estremece minha espinha,

Inverno que me acompanha desde o instante,

Que me faz sonhar, em que te conhecia.

Me carregam, pois tudo acabou

O Verão aqui vindo, raio-de-sol em mim,

Eu não sei, eu não vi, e também passou.

Eu sumi de mim, enquanto deveria

Estar longe, em Berlim, na Irlanda, na sua vida...

Por A. Carvalho, “Fajuto”.

sábado, 4 de julho de 2009

Senti que tudo se foi

Guardei, por fim, muitas coisas boas

Lembrei dos momentos, beijos, abraços, de um simples oi,

Abrindo os olhos, nada era a mesma coisa.

O vazio dessa rua de hoje

Foi a via por onde eu vi, de longe,

Tudo que de fato eu tinha

Partindo

E a mesma rua tão vazia

Em mim, mostrando o caminho

Quando fechei os olhos, um leve vento batia

Eu enxergava, o cheiro eu sentia!

Meu amigos, família, amores, manias: toda a minha vida

Recortes de momentos, de um passado que eu, ali, tanto tanto queria...

Mas também me veio as lutas, me veio as dores, o sangue, as despedidas

E como, na verdade da verdade, aquilo tudo me valia...

Eu me despedi. Agora num sonho sem fim eu existia.

Completo e certo de que uma nova rua eu ainda veria.

Linda, onde crianças são crianças e aonde seu viver será sempre celebrar a vida

Com justiça ou injustiça, com verdade ou mentira, mas ainda preenchida e viva.

Para um dia não precisarem chorar, sentir saudade, tão sozinhas,

De uma forma tão vazia, como foi tão triste hoje a minha...

“Inconformismo”, por André.Carvalho.