Decidi ficar doente para sarar,
Peguei um ônibus para parar,
Me ceguei para tentar enxergar,
Assisti à tv para me identificar
Nada deu certo.
Jamais dará?
Não se pode mover como um inseto
Um ser que ama, odeia e pode pensar,
Que luta pelo que acha certo,
Sendo que o problema está em achar.
Muitos aí que guiam são os cegos,
Que ignoram a direção, pois poderiam enxergar...
Me desdobrar, descer, subir, voltar, eu quero.
Porque com tudo isso que não posso concordar.
Continuo contra a massa antimassiva desses modernos,
Que se excluindo pensam poder se individualizar,
Mas ao mesmo buraco estão caindo, do cemitério.
Já não se pode esse lado ou outro apoiar,
Ambos estão corrompidos e sem méritos...
A esperança está no que é sincero, em o que, pela justiça, a própria vida venha a arriscar.
Decidindo ser cego
Para melhor entender o que ninguém consegue enxergar,
Pensando além, sério, realmente diferente, novo,
Contrário a esse todo produzido
Que se une a se fragmentar.
Por A.Carvalho, “Inconformismo”.