terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Lobos

Coração de lobo
Eu descobri em mim.
Insano, maluco, doido,
Louco, errado, impossível, o fim,
E é o que dizem, inutilmente, todos.

Mas é o ambiente que dá ao lobo seu existir,
Sou feito para o frio, para o alto, baixo e ao fogo.
Por isso, nada vai me impedir.
Farejarei aonde você for, ao seu encontro,
Porque você também precisa de mim.

Apenas seu sentimento me dará um coração novo,
Por que você é a lua tão distante daqui?
Sua luz se espalhou pelo rio, onde bebo, onde lavo, onde sofro...
Está em cada lágrima, que o formou, a cair.

Lua é seu corpo, seus olhos, seu rosto,
Beleza além da admiração, a que se pode sentir...
As trevas te cegam e prendem, te fazem parte do todo,
Mas a tua luz própria é a esperança, a força em si.

A verdade que faz meu coração uivar, seguro, forte, acima do coro
De tantos e tantos falsos lobos por você a latir...

Apenas seu sentimento me dará um coração novo,
O do homem que vai te fazer existir,
Ser a mulher, única, esquecida da dor, vivida do gozo.

Por isso, o coração a que me referi
Continuará batendo, aqui, junto, intenso, corajoso, superando os outros,

Pois ao que faz sentido verdadeiro não existe o iludir,
Ou o quanto, o quando, ou o qual e como...
Para em mesmo ritmo, em união e bem, outro coração, com outro coração, o nosso,
Sentir.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Inconformismo

Eu não vejo um futuro para todos e tudo.

Sou pessimista porque o mundo me influencia.

Os jovens que por aí estão são defuntos

Vivem uma mentira, um absurdo, que se alimenta, que aumenta...

Não há ninguém para pensar, para dar rumos.

Os designados para tudo, para tudo têm incompetência.

De um lado uma juventude ignorante, supérflua, sem identidade (a não ser burro)

De outro uma juventude fanática, autointitulada ‘pseudo-cult-intelectual’ egocêntrica.

Trivial, mais uma boa porcentagem dos neutros, que acham estarem livres ficando em cima do muro.

Ninguém e nada em absoluto não sofre consequências.

As crianças por sua vez são o próprio futuro,

Já marcado pelo sinal liberal e natural da indecência.

A falta de culpa, de vergonha, a corrupção na infância de pequenos adultos,

Já não existem crianças, logo, não existe futuro, mas sim a decadência.

O pessimismo é um alerta, com a voz, e mesmo com os punhos, lutemos, luto

Deve-se direcionar a revolta, fazendo a mudança, mesmo se pela violência

Ou não passaremos de velhos, vivendo todo momento o último momento

De puro e apenas sofrimento,

Abusados, comandados, autodestruindo, construindo um coletivo túmulo, injusto,

Pois assim vem sendo e continuará, se continuar, ao menos...

“Inconformismo”, por André Carvalho.

sábado, 12 de setembro de 2009

Inconformismo

Eu vi chover corpos e cabeças,
Eu passei por uma nuvem de moscas e vespas
Me banhei em sangue, me alimentei da doença
Fiz porque desprezo os problemas.
As autoridades usam do poder como bestas
A polícia de nada serve, pobres coitados, dão vergonha, como lixo cheira
Se não, são exemplo da irracionalidade ou da não-emotividade, fraqueza
A segurança se resume em fechar os olhos e deixa ser ou se manter em todo-fortaleza
Quando era criança eu quis ser o pior indivíduo, já tinha certeza
Para viver isso, que é o nosso normal, nossa beleza
Maldade, maldade, por toda parte
Quando durmo, quando à mesa
Não tenho saudade da bondade, pois nunca a vivi, é uma estranheza
Não sou inventado, sou esses aí,
Brasileiros, brasileiras
Reais, injustiçados, castigados pelo governo "realeza"
Cresci, e continuei a ver chover corpos e cabeças
Mas hoje, tão cansado e injustiçado, farei uma besteira
Morrerei, de qualquer forma, mas vingarei atacando a fonte do problema
Curando nosso corpo, eliminando os parasitas, os de esquerda e os de direita
Acredite, faça e veja.
"Inconformismo", por André Carvalho

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Inconformismo

A anarquia deve existir como ferramenta de transformação

De uma má situação,

De uma sociedade e seu poder... Corrompidos.

Uma forma de inconformismo que usa as mãos.

A atualidade do Brasil necessita,

De meros ideais não – como desses playboys cults, liberais atuais,

Superficiais –

Mas, de reação, respostas, verdades,

Sem e contra abrandamentos e hipocrisias gerais.

Brigando por justiça com as próprias mãos,

Sim, em vez de acabar derrotado injustamente,

Sem vez nem opinião,

E servindo de exemplo ao conformismo,

Ba-na-li-za-ção.

Inconformismo, por André Carvalho.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Inconformismo

Decidi ficar doente para sarar,

Peguei um ônibus para parar,

Me ceguei para tentar enxergar,

Assisti à tv para me identificar

Nada deu certo.

Jamais dará?

Não se pode mover como um inseto

Um ser que ama, odeia e pode pensar,

Que luta pelo que acha certo,

Sendo que o problema está em achar.

Muitos aí que guiam são os cegos,

Que ignoram a direção, pois poderiam enxergar...

Me desdobrar, descer, subir, voltar, eu quero.

Porque com tudo isso que não posso concordar.

Continuo contra a massa antimassiva desses modernos,

Que se excluindo pensam poder se individualizar,

Mas ao mesmo buraco estão caindo, do cemitério.

Já não se pode esse lado ou outro apoiar,

Ambos estão corrompidos e sem méritos...

A esperança está no que é sincero, em o que, pela justiça, a própria vida venha a arriscar.

Decidindo ser cego

Para melhor entender o que ninguém consegue enxergar,

Pensando além, sério, realmente diferente, novo,

Contrário a esse todo produzido

Que se une a se fragmentar.

Por A.Carvalho, “Inconformismo”.

Inconformismo

Você é o velho que já morreu e aqui ficou

E mal consegue ser velho como era ser no tempo de seu avô

Isso porque se resumiu a nada, o tudo que a vida de verdade e em bondade criou,

Disfarçada a terra, habitada de zumbis,

Você que aí está, que pertence, que vive, mas aparentemente, pois está morto, e se ninguém vê ou ninguém diz, são pelas ações que eu te descobri.

Espero que se encontre, que veja além dos olhos,

Que sinta-se além dos poros e ócios,

E que diga, além de ruídos, efeitos sonoros,

Para viver a vida, além das horas, além dos modos,

Menos falsa, menos sofrida.

Por A.Carvalho, “Inconformismo”.

Fajuto

Eu carrego uma dor.

Extrema dor, extrema.

Borboleta que voar recusou,

Beija-flor que perdeu as penas

Por causa de uma, única flor.

Eu carrego uma agonia

Fria, fria, congelante,

Calafrio que estremece minha espinha,

Inverno que me acompanha desde o instante,

Que me faz sonhar, em que te conhecia.

Me carregam, pois tudo acabou

O Verão aqui vindo, raio-de-sol em mim,

Eu não sei, eu não vi, e também passou.

Eu sumi de mim, enquanto deveria

Estar longe, em Berlim, na Irlanda, na sua vida...

Por A. Carvalho, “Fajuto”.

sábado, 4 de julho de 2009

Senti que tudo se foi

Guardei, por fim, muitas coisas boas

Lembrei dos momentos, beijos, abraços, de um simples oi,

Abrindo os olhos, nada era a mesma coisa.

O vazio dessa rua de hoje

Foi a via por onde eu vi, de longe,

Tudo que de fato eu tinha

Partindo

E a mesma rua tão vazia

Em mim, mostrando o caminho

Quando fechei os olhos, um leve vento batia

Eu enxergava, o cheiro eu sentia!

Meu amigos, família, amores, manias: toda a minha vida

Recortes de momentos, de um passado que eu, ali, tanto tanto queria...

Mas também me veio as lutas, me veio as dores, o sangue, as despedidas

E como, na verdade da verdade, aquilo tudo me valia...

Eu me despedi. Agora num sonho sem fim eu existia.

Completo e certo de que uma nova rua eu ainda veria.

Linda, onde crianças são crianças e aonde seu viver será sempre celebrar a vida

Com justiça ou injustiça, com verdade ou mentira, mas ainda preenchida e viva.

Para um dia não precisarem chorar, sentir saudade, tão sozinhas,

De uma forma tão vazia, como foi tão triste hoje a minha...

“Inconformismo”, por André.Carvalho.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Fajuto

Encaro o que tanto me sufoca,

Sinto-me o rio que corre por vias

Mas, diante da aridez por sua volta,

Dá as costas, vendo-se secar, passar as vidas...

Ao mesmo tempo sinto-me o indivíduo

Em meio as águas que ele próprio provoca

Perdendo tudo pelo fluxo, como um assobio

Desafinado, que ali tem seu sentido, que sempre precisa da nota...

Sinto-me no sufocar como de um agressor

Mãos à garganta, força e despedida

Sendo que as mãos inimigas ele próprio criou

E sufocado, muitas vezes sofria, e fugia, fugia...

Não se acha outra palavra para ele, além de dor...

Olhos que encaram, poderosos, famintos,

No entanto, cegos que mal sabem o que é cor

Mas vislumbram reflexivos, construindo labirintos e labirintos

Sinto-me um sono profundo, contínuo

Rodeado de pesadelo, apenas por esquecer o sonho todo

Encaro o que assusta, dormindo

Não vendo na realidade o que sufoca: vivendo morto.

“Fajuto”, por André Carvalho.

Inconformismo

As coisas ao meu redor me fazem ser tudo

E eu mesmo cada vez mais nada

Procuro o que nunca achei, o que tenho eu oculto

Sou um rato roendo a minha alma

Sou um monstro que não sabe o que é o feio nesse mundo

Eu olho no espelho e nada vejo, só ele fala

Acredito em tudo, desejo a mentira e da realidade fujo

O espelho e os sonhos refletem a mesma falha:

A vontade de ser tudo, de uma forma tão falsa, que será mero vazio quando preenchendo o túmulo, a vala...

“Inconformismo”, por André Carvalho.

sábado, 6 de junho de 2009

Os porcos ainda não sabem o que é bacon nem gripe. Nós comemos o bacon, ou não comemos bacon nem carne alguma – ou em alguns casos apenas “carne branca”, que, convenhamos, “não” é carne... – temos gripe, temos medo dela, ou a ignoramos, ou nos ignoramos de fato, e no fim os porcos de verdade, contaminados, é um muito desse “nós”.

            Não se pode deixar ser contaminado por essa “gripe suína” que vem de todo lado, já há muito tempo e de todo espaço, que faz de todos um todo contaminado, que precisa parar, pensar e se rever, sem aceitar e se resolver apenas pelo que é falado, estudado e publicado, mas se aceitando naturalmente e sem ficar tão parado, atirando pérolas e sendo os próprios porcos num mesmo estúpido ato.

            Já se diz em pandemia, a TV divulga, comercializa, ganha audiência etc., e as pessoas já veem o fim do mundo, os olhos todos, tapados, só olham ao futuro; são olhos criadores, cegos inventando um mundo, mas de um mau gosto tão terrível, que criam um futuro desastroso, em que já projetam sua morte e a de todos. A verdade que isso é reflexo da própria condição idiota que a massa pop se encontra: é um verdadeiro chiqueiro de gente! Um por cima do outro ou passando por cima do outro, sem espaço, se debatendo, se agredindo, só criando deficiência, achando na lama e na sujeira sua satisfação plena, e tendo como reforço e motivação: a lavagem, graciosamente cedida pelos governantes...Viva a essa lavagem de que todos nós sobrevivemos!

            Agora, a atenção e preocupação que atribuía o “fim do mundo” à crise econômica dá um tempinho, volta-se à crise, mais pessoal, da saúde...Pobres porquinhos, depois de quebrados como cofrinhos, que já estavam meio vazios – sem moedas, mas ainda pagando dízimos – agora têm que levar mais essa...

            O assunto da gripe, então, vira de tudo: motivo de alerta, motivo de piada, motivo de fobia, motivo de falência, motivo de lucro, motivo de parada, motivo de rumo e nisso só vai, por si só, contaminando a mente da massa já contaminada – e até mesmo falecida, há tempos em alguns casos, respirando como podem no túmulo – fazendo-os atribuir a esse tema todos os problemas de suas vidas, que jamais deveriam ficar de lado, esquecidos ou meramente negados...

            Todo mundo fica gripado, mas ninguém lembra mais das porcarias que estão ao lado, e que continuam a matar e a matar – quando já não se está enterrado – e a que, geralmente, o porco em si não possui culpa alguma... coitado.

            De fato, é necessário que alguém cuide do porco, de sua doença, o povo e o porco tem os seus deveres, que devem valer mais que seus direitos (que aí estão muito do mal feito...), não podem esquecer ou fechar os olhos para o fato de que ali estão todos aglomerados, em má situação, e negando a verdade, continuando a aceitar lavagem, brigando por lavagem, em vez de se livrarem, e de se lavarem de vez...


“Inconformismo”, por A.Carvalho.

Estranhamente vem-me o gosto puro e amargo da morte.

Linguarando em degustadas densas na boca

Fluxo de sangue que corre constante, do profundo ele sobe

Avermelhando o que eu vejo, o que eu gosto e o que odeio

Força que estremece, que explode, desespera e falece

Monumento simétrico sírio, que racha, quebra, se perde

Estranheza pela vida percebida, enquanto a elimina

Tudo porque nos tornamos apenas um,

Mas como um degradado...vazio e dominado

Que migra para o fim, pensando em só ser salvo

E isso ainda é o normal, só estranho para mim, e quem sabe para nós,

Inconformados...

 

“Inconformismo”, por A. Carvalho.

O fajuto é um reflexo.

Irmão gêmeo que não nasceu, mas é resultado, como a sombra, projetado...

Vício, droga...direções, retas, tortas...

Verdade, primogênita, justa, sólida e tão diferente quando a incorpora...

Hipnótica, utópica, esquerdista, anti, contra, forte, apóia-hipócrita, fiél, viva ou morta.

Ninguém quer nada e ninguém é tudo em originalidade embalada

Vozes que passam de boca a boca,

Ideias que habitam cérebros e cérebros, tidas como absolutas,

Geniais, e são estúpidas ou apenas verdades cruas...

Triviais ou até fajutas, que sempre aí estiveram,

Que burocraciam, sistematizam coisas puras...

E que tudo está incluído, no verdadeirismo ou no que é falso, vice-versa,

Procurando respostas, formulando perguntas...

Banalizada, visões do futuro.

Mas que futuro que nada!

Entre problemáticas, sempre haverá um, o fajuto.

Ele, ela, eles, elas que ali continuam

Pensando, pensando, pensando, mas se reprovando,

Olhando para dentro, no que há de mais puro,

Que não necessita de aplausos, vaias ou uivos...

Que não se resume ao passado, conquistado ou obscuro,

Nem se abstém a futuros, merecidos ou indefinidos (e ao absoluto)

E mesmo o presente, em horas que passam

Completando uma vida, que de verdadeira, em fajuto,

Só valeu, se valeu, em minutos...hahahaha!

 

“Fajuto”, por A.Carvalho